sábado, 3 de novembro de 2012

Dinheiro, dinheiro, dinheiro!


"Nossa, meu, você é muito engraçado/criativo. Por que diabos você não vai ganhar dinheiro com isso, porra?"
Não, posso simplesmente ser engraçado/criativo. Que necessidade de ganhar dinheiro com tudo, até se peidar de um jeito diferente o cara tem de tentar ganhar dinheiro com isso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As incertezas sobre os destinos das cartas


Não sei se minha carta jamais chegou, ou se ela não a respondeu, ou se respondeu e sua resposta nunca me foi entregue. Se nunca me respondeu, fico a refletir em que errei. O que parece é que nosso contato quebrou-se por conta de um desses problemas.
Só o que sei com certeza é que sinto saudade de suas palavras...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Paixão diária


Moça bonita para quem ensinei o caminho para Santo André, na estação, hoje: saiba que me apaixonei por você.
Quando a vi perguntando a outro usuário o que deveria fazer para ir até seu destino, já me senti aturdido com a emoção. Fui imediatamente em sua direção, e quando você se virou para mim, confesso, meu coração já era seu. Primeiro amei seu sorriso... não, não. Serei sincero: primeiro aproveitei para olhar e amar seu decote através de sua linda blusinha folgada e transparente enquanto você procurava o mapa da rede metroferroviária em seu celular. Mas depois, quando voltou seu rosto novamente para mim, não pude deixar de amar seus olhos detrás de grandes óculos, seu nariz delicado e seus lábios perfeitos, que desejei. Sua maneira de falar e compreender minhas explicações, seu sorriso simpático, que eu quis ter em todas as tardes de domingo sentados a um banco de pedra de alguma praça, seu caminhar ponderado; amei cada detalhe seu, amei toda a sua vida até ali, amei sua infância e sua adolescência.
Queria ter tido mais tempo com você. Quando você agradeceu e se afastou, vi que não foi exatamente na direção que indiquei, e entusiasmei-me com a chance de correr atrás de você para indicar o caminho correto e, talvez, propor-lhe namoro. Mas alguém me chamou e me distraiu, e quando olhei de volta para onde você ia, você já não estava mais em parte alguma.
Por que não disse tudo isso a você lá mesmo? Haveria uma chance, ainda que pequena, de que você aceitasse meu flerte. Então eu não estaria tão certo, como agora, de que nunca mais a verei.
E por alguns dias vou procurar seu rosto em todos os outros, porém, cedo ou tarde, o esquecerei, e a única lembrança que terei de você é a da pura beleza, e este devaneio escrito; mas naquele momento eu te amei intemporalmente, do início ao fim, entre os dois horizontes, da gênese ao apocalipse, do alfa ao ômega, num mundo hipotético em que nos conhecíamos e nos amávamos desde e para sempre. Eu abriria mão de Platão para ter você aqui comigo.
Adeus!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Conclusões numa aula de Linguística


O capitalismo privilegia a aparência do indivíduo como soberano em relação ao outro, e ao mesmo tempo força uma submissão da imanência do indivíduo ao sistema. O sistema capitalista afirma as pulsões individuais sem negar a coerção social que exerce. Por isso, é tão seguro em seu domínio, tendo dado este nó no percurso gerativo do sentido. Temos impressão de estarmos libertos, sem o estarmos. A liberdade de dizer opiniões contra o sistema, inclusive, é prevista e está perfeitamente de acordo com tal nó.
Só os fortes entenderão (por completo).

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Pergunta do Orkut: "Como seria seu primeiro encontro ideal?" (alguém aí se lembra disso?)


Ah, essa é fácil. Após algum tempo num amistoso relacionamento, encontrar-me-ia com a amada para sairmos à luz da noite. Sob as árvores de uma praça iluminada pela lua através do limpo céu hibernal, sentar-nos-íamos num banco de madeira já desgastado e descascado pelo tempo e pelas paixões. Haveria um momento de hesitação, em que tentaríamos encontrar estrelas às quais atribuir significados e imagens, e veríamos as folhas sendo empurradas a esmo pela leve, porém fria, brisa que nos inculcaria desejo pela proximidade. Haveria o toque de meu braço nos seus ombros, e o do dela em minha cintura; então recostaríamos cabeça em cabeça e veríamos a lua, cheia de histórias de incontáveis gerações de amantes, que me faria dizer, aos ouvidos dela, versos de belos poemas; outras tantas palavras minhas que eu teria afiado durante as últimas semanas antes desse encontro; e ainda outras tantas que formularia no instante, improvisadas – e, decerto, mais importantes que as treinadas. Ela as ouviria, e tornaria o rosto um pouco para mim, ainda recostado ao meu, a fim de flertar-me idílio eterno. Eu, tomado por todas as inspirações românticas que uma alma pode espontaneamente laçar do éter em momentos como esse, quando toda a razão se esvai e não importam mais as intrigas internacionais e interplanetárias e quaisquer respostas sobre a vida, o universo e tudo mais, lançaria ao pé de seu ouvido uma canção; uma canção que não mais seria de artistas e plateias, nem só minha ou dela, mas nossa, uma música só nossa, mais que todas as outras. E quando ela ouvisse os versos que para sempre representariam nossa união, um último movimento traria seu olhar ao horizonte do meu e nos contemplaríamos as almas – não mais fugazes, não mais escapando pela curva por trás das íris –, rutilantes de paixão, no fundo das pupilas. Haveria sorrisos, no rosto de cada um, que só um beijo conteria e incorporaria para o outro. Haveria quem pudesse nos observar abraçados e apaixonados, mas sem nunca poder imaginar a intensidade do amor que fluiria entre nós. Haveria algum belo esquilo, algum pássaro insone a nos espionar, algum pirilampo luzindo seu reduzido universo; e só um talentoso artista seria hábil para notar e pintar, num retrato nosso, algum deles, tornando a cena ainda mais especial e mística. Haveria o piscar de alguma estrela morrendo e o de outra nascendo. Haveria, enfim, ainda, claro, o banco de madeira, as árvores da praça, as folhas dando cambalhotas, tocadas por Zéfiro, a lua soberana e a brisa do inverno; e seríamos nós parte daquela paisagem por aqueles minutos, como tantos já foram, como tantos ainda seriam. Um quadro estampado eternamente em nossa memória, absoluto em significado, forte contra todas as angústias da vida, sutil como todos os motivos do amor, indelével, intocável, lembrado sempre ao calar profundo das madrugadas e ao tocar de belas canções; vívido à recordação das palavras trocadas aos sussurros; quente, reconfortante; feliz, sempiterno.

domingo, 28 de outubro de 2012

     A quantidade de postagens explicitamente politizadas ultimamente está muito maior que a média para um blog devaneador, onírico, subjetivo etc. Será necessária uma cisão, caso continue assim.
     Meu receio de encontrá-la é o receio de que se aproxime minimamente da idealização, bem distante da realidade, que consolidei em meus pensamentos. Se se aproximar, corro o risco de tornar a enveredar por estradas demasiado sombrias.