Sentirei saudade da Aline porque, em diversos
aspectos, ela tem um espírito semelhante ao meu.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Algumas explicações sobre ateísmo
Aos muitos amigos e colegas de meu Facebook que
compartilham uma imagem que diz:
"Ateísmo: a crença de que não existia nada e
nada aconteceu a nada e então nada magicamente explodiu por razão nenhuma
criando tudo e então um punhado de nada se rearranjou por si só sem
absolutamente qualquer razão em partes auto-replicantes as quais se tornaram
dinossauros. Faz todo sentido."
Tenho alguns comentários a fazer para conversarmos
melhor.
Primeiro: ateísmo não é crença; é ausência de crença.
A quem acha que ateísmo é religião: não é, e não insista, a menos que queira
passar por tolo; e se assim for, não há mais motivo para dialogar, porque seria
o mesmo que dialogar com uma pedra. Ateísmo é não acreditar em deuses de
qualquer religião, assim como em qualquer entidade divina e similares.
Segundo: ante o inexplicável, geralmente a pessoa
escolhe uma das seguintes opções: 1ª - acreditar que há um ser ou forças
conscientes por trás do incompreensível e 2ª - concluir que há aspectos da natureza
que, sim, não podemos compreender com as ferramentas que temos e talvez nunca
compreendamos, mas que isso não implica em haver um deus articulando tudo. A
primeira escolha é feita pelos teístas; a segunda, pelos ateístas. Simplesmente
isso.
Terceiro: ser ateu não implica acreditar em Big Bang
nem em qualquer outra coisa. Ateísmo, novamente, é simplesmente ausência de
crença em deuses. Dar crédito à teoria científica X ou Y para o início do
universo ou da vida ou o que for é outra coisa. O que acontece é que a teoria
do Big Bang é a mais aceita entre os ateus. E é, sim, tão igualmente incompleta
e vaga quanto a explicação teísta para a origem de tudo. Só não possui seres
fantásticos desejando e criando para lá e para cá.
Quarto: faz igualmente todo sentido acreditar no
teísmo, não faz? A crença de que não existia nada, então um ser incrivelmente
poderoso magicamente fez tudo existir motivado por criar seres humanos num
planeta minúsculo num universo infinitas vezes maior que tal planeta, e então
ficar observando como esses humanos vivem e selecionar alguns para viver em seu
paraíso, mas só alguns: aqueles que tiverem um medo absurdo e inexplicável
deste ser. Não... não faz sentido. Aliás, gozado, qualquer outra pessoa que
levar uma vida fazendo o bem e ajudando os outros, qualquer pessoa que dedique
a própria vida para salvar a vida de outras, se não acreditar nesse ser
supremo, está destinado à punição eterna. De que esses deuses gostam, afinal?
De puxa-sacos, parece. Observação: quem diz que esse tipo de pessoa, mesmo não
acreditando em Deus, "tem Deus no coração e acredita sem saber, por isso
está salvo", ah, por favor, vá tentar sua manipulação religiosa em outro
lugar.
Quinto: algo curioso é que não há consenso entre os
religiosos. Cada religião tem um deus que fez isso ou aquilo de forma
diferente, e cada uma acha que é a verdadeira religião porque tem os milagres
tais e quais, ou os personagens místicos Fulano e Sicrano... também há os que
dizem que acreditam em Deus, mas não em religião. Que tipo de "salvação
divina" essas pessoas podem esperar? O deus de qual religião vai salvar
essas pessoas?
Sexto: por que é necessário que o mundo faça algum
sentido ou que tenha alguma finalidade? Para mim, essa necessidade é só uma
forma de fazer de conta que somos importantes de alguma forma, ou mais
importantes do que os outros animais, ou ainda pior: que um humano possa ser
mais importante do que outro porque acreditam que ele tem uma
"missão" ou algo do tipo. Isso é só mais uma forma perniciosa de
separar as pessoas.
Sétimo: todos os comentários anteriores novamente e
reforçados.
Antigamente eu dizia que acreditava em Deus e que era
católico só para não ficarem olhando torto para mim, e achava que era
importante "ter uma religião" (a mais popular, é claro) só para não
perder prestígio social. No final da adolescência dei-me conta de que não
estava errado por ser ateu e não menti mais. Algumas pessoas (poucas, admito)
se afastaram de mim quando souberam que sou ateu. Engraçado: nunca me afastei
de nenhum religioso simplesmente pelo motivo de a pessoa ser religiosa.
Religiões têm os mais intumescidos preconceitos.
Quem não souber debater e quiser só destilar ódio
nascido da ignorância que fique à vontade para me desejar o inferno, ou o lugar
de punição que seja. Isso é até comum. Mas, aí, não mais tentarei dialogar com
quem utilizar esses vitupérios.
Acho que era só isso, mesmo. Estava cansado de ver,
sem nada dizer, esse tipo de mensagem estúpida circulando.
Dinheiro, dinheiro, dinheiro!
"Nossa, meu, você é muito engraçado/criativo.
Por que diabos você não vai ganhar dinheiro com isso, porra?"
Não, posso simplesmente ser engraçado/criativo. Que
necessidade de ganhar dinheiro com tudo, até se peidar de um jeito diferente o
cara tem de tentar ganhar dinheiro com isso.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
As incertezas sobre os destinos das cartas
Não sei se minha carta jamais chegou, ou se ela não a
respondeu, ou se respondeu e sua resposta nunca me foi entregue. Se nunca me
respondeu, fico a refletir em que errei. O que parece é que nosso contato
quebrou-se por conta de um desses problemas.
Só o que sei com certeza é que sinto saudade de suas
palavras...
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Paixão diária
Moça bonita para quem ensinei o caminho para Santo
André, na estação, hoje: saiba que me apaixonei por você.
Quando a vi perguntando a outro usuário o que deveria
fazer para ir até seu destino, já me senti aturdido com a emoção. Fui imediatamente
em sua direção, e quando você se virou para mim, confesso, meu coração já era
seu. Primeiro amei seu sorriso... não, não. Serei sincero: primeiro aproveitei
para olhar e amar seu decote através de sua linda blusinha folgada e
transparente enquanto você procurava o mapa da rede metroferroviária em seu
celular. Mas depois, quando voltou seu rosto novamente para mim, não pude
deixar de amar seus olhos detrás de grandes óculos, seu nariz delicado e seus
lábios perfeitos, que desejei. Sua maneira de falar e compreender minhas
explicações, seu sorriso simpático, que eu quis ter em todas as tardes de
domingo sentados a um banco de pedra de alguma praça, seu caminhar ponderado;
amei cada detalhe seu, amei toda a sua vida até ali, amei sua infância e sua
adolescência.
Queria ter tido mais tempo com você. Quando você
agradeceu e se afastou, vi que não foi exatamente na direção que indiquei, e
entusiasmei-me com a chance de correr atrás de você para indicar o caminho
correto e, talvez, propor-lhe namoro. Mas alguém me chamou e me distraiu, e
quando olhei de volta para onde você ia, você já não estava mais em parte
alguma.
Por que não disse tudo isso a você lá mesmo? Haveria
uma chance, ainda que pequena, de que você aceitasse meu flerte. Então eu não
estaria tão certo, como agora, de que nunca mais a verei.
E por alguns dias vou procurar seu rosto em todos os
outros, porém, cedo ou tarde, o esquecerei, e a única lembrança que terei de
você é a da pura beleza, e este devaneio escrito; mas naquele momento eu te
amei intemporalmente, do início ao fim, entre os dois horizontes, da gênese ao
apocalipse, do alfa ao ômega, num mundo hipotético em que nos conhecíamos e nos
amávamos desde e para sempre. Eu abriria mão de Platão para ter você aqui
comigo.
Adeus!
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Conclusões numa aula de Linguística
O capitalismo privilegia a aparência do indivíduo
como soberano em relação ao outro, e ao mesmo tempo força uma submissão da
imanência do indivíduo ao sistema. O sistema capitalista afirma as pulsões
individuais sem negar a coerção social que exerce. Por isso, é tão seguro em
seu domínio, tendo dado este nó no percurso gerativo do sentido. Temos
impressão de estarmos libertos, sem o estarmos. A liberdade de dizer opiniões
contra o sistema, inclusive, é prevista e está perfeitamente de acordo com tal
nó.
Só os fortes entenderão (por completo).
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Pergunta do Orkut: "Como seria seu primeiro encontro ideal?" (alguém aí se lembra disso?)
Ah, essa é fácil. Após algum tempo num amistoso
relacionamento, encontrar-me-ia com a amada para sairmos à luz da noite. Sob as
árvores de uma praça iluminada pela lua através do limpo céu
hibernal, sentar-nos-íamos num banco de madeira já desgastado e descascado
pelo tempo e pelas paixões. Haveria um momento de hesitação, em que tentaríamos
encontrar estrelas às quais atribuir significados e imagens, e veríamos as folhas
sendo empurradas a esmo pela leve, porém fria, brisa que nos inculcaria desejo
pela proximidade. Haveria o toque de meu braço nos seus ombros, e o do dela em
minha cintura; então recostaríamos cabeça em cabeça e veríamos a lua, cheia de
histórias de incontáveis gerações de amantes, que me faria dizer, aos ouvidos
dela, versos de belos poemas; outras tantas palavras minhas que eu teria afiado
durante as últimas semanas antes desse encontro; e ainda outras tantas que
formularia no instante, improvisadas – e, decerto, mais importantes que as
treinadas. Ela as ouviria, e tornaria o rosto um pouco para mim, ainda
recostado ao meu, a fim de flertar-me idílio eterno. Eu, tomado por todas as
inspirações românticas que uma alma pode espontaneamente laçar do éter em
momentos como esse, quando toda a razão se esvai e não importam mais as
intrigas internacionais e interplanetárias e quaisquer respostas sobre a vida,
o universo e tudo mais, lançaria ao pé de seu ouvido uma canção; uma canção que
não mais seria de artistas e plateias, nem só minha ou dela, mas nossa, uma
música só nossa, mais que todas as outras. E quando ela ouvisse os versos que
para sempre representariam nossa união, um último movimento traria seu olhar ao
horizonte do meu e nos contemplaríamos as almas – não mais fugazes, não mais
escapando pela curva por trás das íris –, rutilantes de paixão, no fundo das
pupilas. Haveria sorrisos, no rosto de cada um, que só um beijo conteria e
incorporaria para o outro. Haveria quem pudesse nos observar abraçados e
apaixonados, mas sem nunca poder imaginar a intensidade do amor que fluiria
entre nós. Haveria algum belo esquilo, algum pássaro insone a nos espionar,
algum pirilampo luzindo seu reduzido universo; e só um talentoso artista seria
hábil para notar e pintar, num retrato nosso, algum deles, tornando a cena
ainda mais especial e mística. Haveria o piscar de alguma estrela morrendo e o
de outra nascendo. Haveria, enfim, ainda, claro, o banco de madeira, as árvores
da praça, as folhas dando cambalhotas, tocadas por Zéfiro, a lua soberana e a
brisa do inverno; e seríamos nós parte daquela paisagem por aqueles minutos,
como tantos já foram, como tantos ainda seriam. Um quadro estampado eternamente
em nossa memória, absoluto em significado, forte contra todas as angústias da
vida, sutil como todos os motivos do amor, indelével, intocável, lembrado
sempre ao calar profundo das madrugadas e ao tocar de belas canções; vívido à
recordação das palavras trocadas aos sussurros; quente, reconfortante; feliz,
sempiterno.
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