Às vezes olho para o céu, em busca da lua. Quando está encoberta, encontro entre as nuvens seu contorno, ou seu brilho. Se permaneço olhando por mais alguns instantes percebo que as nuvens sempre resolvem descobri-la, como se fossem simpáticas ao fascínio que por ela tenho. Então continuo andando, trocando olhares da lua para o chão, do chão para a lua, para não tropeçar. Quase inconscientemente, sei que faço apostas com as nuvens. "E aí, continuarão a se curvar aos meus desejos?". E, sempre, elas cobrem a lua de volta, e não a descobrem até que, sem desafios, distraidamente, eu olhe para o céu como da primeira vez. Nunca sei se a escondem porque se irritam comigo ou se para provar que não tenho domínio sobre os céus. Também não sei direito por que quase sempre as nuvens me dão essa prova de poder sobrenatural. Ou realmente sabem que gosto da lua ou então o próprio destino é meu amigo, fazendo com que eu olhe para cima na hora certa, sem que as nuvens tenham de fato algo a ver com isso. De qualquer forma, é certo que sou o que realmente sou, afinal: uma criatura que precisa da ajuda de forças maiores que a de si mesma, em primeira ou última instância.
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