Pensei em escrever coisas avulsas aqui, e comecei agora. Reparo que este editor de texto é lento demais, às vezes tenho que esperar alguns segundos pra ver se não escrevi algo errado e consertar. Também, lento como é, trava meu fluxo de pensamentos, pois não me permite acompanhar meu texto enquanto escrevo, e sempre perco o fio da meada. Entretanto, mesmo que eu tivesse um gravador de voz e falasse tudo que me vem em mente quando me dá a louca, eu perderia o raciocínio. Parece que, embora em minha mente as palavras soem como minha voz e num ritmo normal, assim que tento transferir para o mundo de fora as imagens, sons, ou seja lá o que for que se passa aqui no mundo de dentro, percebo que meus músculos não são velozes o suficiente para acompanhar a velocidade do meu cérebro. Deve acontecer com todo mundo, provavelmente, mas não acho que as pessoas perdem muito tempo pensando nisso. Há coisas mais legais a se pensar.
Hoje, por exemplo, li numa revista que sabe-se que cães têm sonhos, mas não se sabe sobre o quê. Não é bacana? Logo imaginei uma história cheia de conspirações, num futuro distante, quando os cães e os gatos evoluíram a um nível como o dos humanos, desenvolvendo uma linguagem própria e aprendendo a nossa, libertando-se de nossa tutela, para em seguida libertarem-se do preconceito que certamente teremos deles, e então, finalmente, construindo suas próprias cidades e contribuindo com o avanço tecnológico do planeta. Às vezes pensamos sobre invasões alienígenas, um povo de outro planeta chegando no nosso, seja em paz ou não. Não seria estranho para eles se, ao chegarem aqui, descobrissem que nosso planeta, ao contrário do deles, deu a chance para três espécies totalmente diferentes se desenvolverem ao mesmo tempo? Talvez até desagradável, caso estivessem planejando um ataque. Imaginem só: humanos, caninos e felinos juntos, com fuzis, dentes e garras, agindo em conjunto contra uma força desconhecida? Espero que ninguém me roube essa ideia, acho que daria uma boa história.
Enquanto eu escrevia o parágrafo acima, e a frase em que estamos, consegui transcrever uma das coisas que pairava em meus pensamentos, a troco de perder pelo menos outras cinco coisas. Já tentei controlar esse problema escrevendo, para cada ideia, uma palavra-chave, a fim de me lembrar do que pensava quando escrevi cada uma, e de dar continuidade ao pensamento. Mas logo me esqueço. Surgem outras milhares de coisas geniais, e mais mil palavras-chaves, que viram só um bocado de palavras inúteis, seus significados todos perdidos. Esvaziar a mente de uma ideia usando apenas uma palavra não serve pra nada. O cérebro pensa "firmeza, vou guardar a informação lá nos arquivos e deixar catalogado pra eu buscar depois, quando ele precisar". Mas aí ele deixa o papel com os registros cair, e um neurônio louco para mostrar serviço logo trata de se desfazer daquela informação sem nexo, e tudo se perde para sempre.
E eu aqui, escrevendo um monte de coisa sem ligação, perdido na balada, publicando anacolutos por atacado e varejo, enquanto podia estar dando continuidade aos meus "trabalhos". Mas qual é mais importante? O texto bonito e sem erros, com intenção de ter intenções, ou este amontoado de besteiras? Tenho aqui ainda 15.684 caracteres disponíveis, e talvez eu os use, sim. Acho que ler tudo isso de uma vez só seria como lavagem cerebral. Ia ser menos doloroso se a pessoa lesse um parágrafo numa hora, depois lesse outro, e não na ordem normal. Podia começar de qualquer um, pensar sobre o nada que ele fala, e depois ler um outro, outro dia, sei lá. Eu devia ter falado isso no primeiro parágrafo, mas não quero editar o texto. Acho que vou revisar só uma vez, antes de publicar, bem por cima mesmo.
Acabou de entrar uma pessoa no meu MSN, mas nem vou falar com ela. Acabei de tomar um Danette, o normal, de chocolate, bem gostoso. Outro dia cantei pneu com o carro, mas e daí? E daí digo eu para o meu "E daí?". Cada momento que eu vivo não é digno de recordação? Seria eu mais feliz se cada coisa bacana ou engraçada que me acontecesse pudesse ser gravada para que eu mostrasse aos meus amigos? A gente bem que podia ter três vidas paralelas, uma pra dormir, outra pra viver e outra pra compartilhar a anterior com os outros. Aliás, a parte de viver também podia ser dividida, uma pra trabalhar e juntar dinheiro, totalmente sem emoções, outra para a família, outra para amar alguém, e outra para correr atrás dos sonhos mais grandiosos, vontades mais impulsivas e absolutas, e desejos mais loucos. 24 horas para cada vida paralela. Acho que podia ter mais uma pra dormir também, aí seriam duas vezes mais descanso por dia, já que serão mas vidas. E claro que essas vidas poderiam se cruzar em determinados momentos, como um sonho grandioso com a parte do trabalho, ou desejo louco com o amor, coisas assim. Seriam tão independentes quanto cada um de nós nos achamos independentes de nós mesmos.
Eu estava vendo meu flogão antigo outro dia, e parei numa foto que eu coloquei várias alternativas para a expressão do meu rosto na foto. Uma das alternativas era "estava espantado, pois tinha acabado de ver no dicionário a palavra morremorrer, e ficou pensando sobre quantas palavras estranhas existem". Entre outras alternativas totalmente imbecis e engraçadas. Foi um bom dia de pensamentos desconexos. Algumas vezes fico com receio de publicar qualquer coisa na Internet, ou até mesmo escrever no Word, pois tenho medo de que me roubem minhas ideias. Meu computador já tá tão bichado que nem sei como já não foi para o Paraíso dos computadores. Ah, acho que meu computador vai pro céu, ele é um lutador, sempre me ajudou, embora esteja cada vez mais lento, mas eu também ficarei lento quando estiver chegando ao fim de minha vida. Não o culpo. Espero que não me tratem da maneira que eu o trato, quando eu estiver velho como ele. Eu o desligo direto no botão do estabilizador, quase sempre, e também o encho de pancadas e tesouradas, na vã esperança de que ele funcione melhor por se sentir ameaçado.
Falando nisso, numa outra revista eu li que o hábito dos humanos de conversarem com objetos inanimados ou seres que não entendem nossa linguagem vem desde os tempos das cavernas, mas não me lembro por quê. Pelo menos, se é algo natural, ninguém pode se julgar louco por conversar com jabutis ou pedras ou cabos de panelas ou tapiocas. Eu mesmo converso direto com as moedas lá do caixa da banca onde tenho trabalhado esses dias. Elas sempre me ignoram. Até tento fazer umas brincadeiras legais pra ver se elas perdem a timidez, mas nunca nem mesmo um ruído consegui tirar delas. Não tem problema se elas não souberem falar minha linguagem, mas há gestos universais de alegria ou ódio. Dá pra reconhecer em qualquer coisa.
Ainda faltam uns 10.000 caracteres, e nem to com vontade de conferir o número exato. Também acho que não vou ter mais nada pra escrever logo mais, e não sei se vou conseguir gastar todas essas letrinhas que serão arquivadas no infinito espaço virtual. Li em outra revista que já existem unidades de medida virtual estupidamente abrangentes. Uma delas é o petabyte, e tinha lá na revista uns gráficos de quanto um petabyte equivale, mas eu me esqueci. Só sei que acima desse cara está o exabyte (na verdade, não sei se escrevi certo, nem se o petabyte é inferior ao exabyte ou vice-versa, mas sejam meus amigos) e, segundo um gráfico lá, que eu me lembro, pois fiquei abismado e me senti totalmente desprezado por ele, 20 exabytes seriam suficientes para arquivar todas as palavras que todos os humanos disseram, se forem transcritas, e escreveram em toda a sua história. Ou seja, desde o uga buga, passando pelos clássicos de Shakespeare, até isso que eu estou escrevendo agora, estaria disponível em um único megacomputador. É de acabar com qualquer sonho de grandeza literária.
O ser humano criou seu próprio Universo infinito. Se antes a gente já se sentia um lixo imaginando nosso tamanho diante do Universo real, o Universo virtual está cada vez mais ilimitado. Será que algum dia transporemos as barreiras do mundo físico? Quando o Universo real estiver acabando, daqui sabe-se lá quantos mil bilhões de anos, vai ser possível escapar para uma dimensão virtual e esperar que um novo Universo surja de um novo Big Bang, que tudo se estabilize para que possamos voltar ao mundo físico? E, pense: não vai chegar uma hora em que nada mais vai fazer sentido (se é que alguma coisa já faz)? Onde estamos é físico, virtual? Ou uma mescla dos dois? Será que já passamos por isso e esse é o 2º Universo que vivemos? Pode ser que a civilização humana do Universo anterior tenha ficado presa no Universo paralelo dela.
Por qual motivo o Uol Blog disponibiliza tantos caracteres? Já tô com a tendinite atacada aqui, de tanto escrever. Será que todos os blogs são assim? E se um cara que tem compulsão por gastar tudo que lhe é oferecido criar um blog aqui? Imagina só, o cara vê 19.500 caracteres disponíveis e vai se matar de escrever mil coisas. Aí ele acaba de postar e aparece de novo lá, 19.500 caracteres disponíveis pra uma nova postagem. Não é de deixar o cara maluco? Ele vai extrair tanta coisa dele mesmo que pode acabar se esquecendo de quem é. Coisa de louco. Isso pode dar em processo. E só de pensar que tudo isso cabe lá nos 20 exabytes, então? Frustrante. Muitas pessoas vão pensar em suicídio quando essa notícia chegar a todas as pessoas do mundo.
Estive lendo, também, sobre como um livro é analisado para que seja declarado um clássico. Pelos livros que disseram lá, e que eu tenha lido, o cara tem que criar tantas entrelinhas quanto linhas na história. É pura insanidade. Não que cada palavra que escrevemos não esteja repleta de significados diferentes do comum, mas tinha uns lances mais complexos na matéria lá. Só não sei mais o que dizer sobre isso. De qualquer forma, grande porcaria, tudo vai pros 20 exabytes. Declarações de guerra e amor, frases impecáveis e rabiscos semianalfabetos, até mesmo todas as palavras engraçadas do Volp 2009. Acho que serei um dos suicídas.
Acabei de falar pra um amigo meu sobre eu estar escrevendo todos os 19.500 caracteres que me deram aqui no blog. Amigão dos tempos de escola primária. Disse ele "quero só ver". E ele já está se retirando do MSN pra ir dormir. Passou–me um trailer de um filme pra eu ver. O cara é um cinéfilo feroz. Eu o desencorajei de ler esse monte de porcaria que estou escrevendo, mas é possível que em um mês ele consiga ler tudo, aos poucos, pacientemente. Falei pra ele que ia escrever sobre isso também, então ele sabe que é sobre ele a quem me refiro aqui. Um abraço, juventude. O filme é ambientado na Pérsia. Hoje eu li uma história da Turma da Mônica que se passa lá na Arábia. Estou pensando sobre como esse tipo de lugar tem ambientes perfeitos para as mais fantásticas histórias. Roupas impressionantes, palácios suntuosos, cultura interessantíssima. Um lugar bem melhor do que o Brasil ou os Estados Unidos, para se colocar personagens. A cultura ocidental é cheia de super-heróis estrelinhas e babacas, prefiro os mais estilosos do lado de lá. Corrijam-me se eu estiver errado, mas é que já foram muitos caracteres
Eu estou com um pouco de fome. Peguei um biscoito pra comer aqui, mas ele tá murcho. E nem tá vencido, essa porcaria. Mas não tô interessado em comer mais nada. Passo fome mesmo. Ah, e abandonei o "estilo" desde o 1º parágrafo. Não me venham com frescuras da Academia Brasileira de Letras se eu usei parênteses em um dos parágrafos e hífens em outro – como agora, e acho que pela primeira vez. Esta é uma produção totalmente despropositada, sem ligação com nada, nem consigo mesma.
Agora já são uns 3.500 caracteres. Marquei num papel a palavra "pessoas" pra me lembrar de que queria falar sobre elas. Mas não me lembro sobre o quê; vejam como este método é falho. De qualquer forma, posso falar sobre pessoas mesmo não sabendo sobre o que eu ia falar, em primeiro lugar. Posso dizer que as pessoas são estranhas. Estranhas, e legais, e sei lá, bonitas. Você pode descobrir que todas as pessoas são bonitas, é só estar com os olhos certos para cada uma. É, é o que eu acho. O mesmo pode-se dizer para a parte delas serem legais e estranhas. E todas são inteligentes, cada uma em sua especialização mais absurda ou ínfima, que seja. As pessoas deixam beijos, abraços, e adeuses, elas se importam umas com as outras, certamente. As pessoas são humanas, mas, como já teorizei, podem passar a ser caninas e felinas também. Não tem gente que fala que o cachorrinho é como um parente? Faz parte da família? E acho que pássaros também podem evoluir e se tornar tão inteligentes quanto os cachorros e gatos, no futuro, como os humanos. Talvez os peixes também. É esperar pra ver, não?
Eu me lembro da barra de rolagem diminuindo nos primeiros parágrafos, mas agora ela não diminui mais, aqui na caixa de texto. Estranho. Acho que o espaço ao redor dela que aumentou, mas não dá pra ver. É muito difícil de se pensar nisso. Ela começa com medida 20, suponha que seja este o número, a unidade, para facilitar. Sem espaço ao redor. Aí passa pra 19, com 1 espaço ao redor. No fim, ela chega a 1 tamanho, enquanto o espaço ao redor tem 19 tamanhos. Mas se eu precisar escrever mais, ela não vai pra 0,5 tamanho. Ela permanece com 1 tamanho, mas o espaço ao redor cresce pra 20 tamanhos, 21, 22, 23... Como pode uma coisa dessas? Existe alguma teoria, dentro dos 20 exabytes, que explique isso de forma simples e convincente?
Mas, certamente, ainda há espaço para a originalidade. Por vários motivos. O principal: Pode-se criar 20 exabytes de teorias sobre o exabyte, por diversas pessoas. Pode-se criar 20 exabytes sobre qualquer coisa, basta dar um tempo para se escrever sobre cada uma. Aí vão inventar um ultra-fodidus-megalomaniacus-estupidus-pterodonticus-byte, capaz de armazenar milhões de exabytes. Aí, sim, estaremos na roça.
Peguei o exabyte pra Cristo, pelo visto. Meus caracteres estão acabando, e antes eu achava que nunca ia conseguir usar tantos. Agora sinto falta de mais alguns milhares de caracteres, há tantas coisas que eu queria escrever. Acho que vou comprar trocentas caixas de caracteres pra usar à vontade, sem depender do Uol Blog. Bloguol. Uolog. Bluolg. Podiam inventar um nome mais legal pra isso. E podiam arrumar o contador de caracteres, que está totalmente insano. Não sabe se faltam 1000 ou 200 de limite.
E quem vai analisar todas estas minha palavras e procurar nas entrelinhas algo que torne este meu imenso devaneio um clássico literário?
Acabou, chega, beijos.
Hoje, por exemplo, li numa revista que sabe-se que cães têm sonhos, mas não se sabe sobre o quê. Não é bacana? Logo imaginei uma história cheia de conspirações, num futuro distante, quando os cães e os gatos evoluíram a um nível como o dos humanos, desenvolvendo uma linguagem própria e aprendendo a nossa, libertando-se de nossa tutela, para em seguida libertarem-se do preconceito que certamente teremos deles, e então, finalmente, construindo suas próprias cidades e contribuindo com o avanço tecnológico do planeta. Às vezes pensamos sobre invasões alienígenas, um povo de outro planeta chegando no nosso, seja em paz ou não. Não seria estranho para eles se, ao chegarem aqui, descobrissem que nosso planeta, ao contrário do deles, deu a chance para três espécies totalmente diferentes se desenvolverem ao mesmo tempo? Talvez até desagradável, caso estivessem planejando um ataque. Imaginem só: humanos, caninos e felinos juntos, com fuzis, dentes e garras, agindo em conjunto contra uma força desconhecida? Espero que ninguém me roube essa ideia, acho que daria uma boa história.
Enquanto eu escrevia o parágrafo acima, e a frase em que estamos, consegui transcrever uma das coisas que pairava em meus pensamentos, a troco de perder pelo menos outras cinco coisas. Já tentei controlar esse problema escrevendo, para cada ideia, uma palavra-chave, a fim de me lembrar do que pensava quando escrevi cada uma, e de dar continuidade ao pensamento. Mas logo me esqueço. Surgem outras milhares de coisas geniais, e mais mil palavras-chaves, que viram só um bocado de palavras inúteis, seus significados todos perdidos. Esvaziar a mente de uma ideia usando apenas uma palavra não serve pra nada. O cérebro pensa "firmeza, vou guardar a informação lá nos arquivos e deixar catalogado pra eu buscar depois, quando ele precisar". Mas aí ele deixa o papel com os registros cair, e um neurônio louco para mostrar serviço logo trata de se desfazer daquela informação sem nexo, e tudo se perde para sempre.
E eu aqui, escrevendo um monte de coisa sem ligação, perdido na balada, publicando anacolutos por atacado e varejo, enquanto podia estar dando continuidade aos meus "trabalhos". Mas qual é mais importante? O texto bonito e sem erros, com intenção de ter intenções, ou este amontoado de besteiras? Tenho aqui ainda 15.684 caracteres disponíveis, e talvez eu os use, sim. Acho que ler tudo isso de uma vez só seria como lavagem cerebral. Ia ser menos doloroso se a pessoa lesse um parágrafo numa hora, depois lesse outro, e não na ordem normal. Podia começar de qualquer um, pensar sobre o nada que ele fala, e depois ler um outro, outro dia, sei lá. Eu devia ter falado isso no primeiro parágrafo, mas não quero editar o texto. Acho que vou revisar só uma vez, antes de publicar, bem por cima mesmo.
Acabou de entrar uma pessoa no meu MSN, mas nem vou falar com ela. Acabei de tomar um Danette, o normal, de chocolate, bem gostoso. Outro dia cantei pneu com o carro, mas e daí? E daí digo eu para o meu "E daí?". Cada momento que eu vivo não é digno de recordação? Seria eu mais feliz se cada coisa bacana ou engraçada que me acontecesse pudesse ser gravada para que eu mostrasse aos meus amigos? A gente bem que podia ter três vidas paralelas, uma pra dormir, outra pra viver e outra pra compartilhar a anterior com os outros. Aliás, a parte de viver também podia ser dividida, uma pra trabalhar e juntar dinheiro, totalmente sem emoções, outra para a família, outra para amar alguém, e outra para correr atrás dos sonhos mais grandiosos, vontades mais impulsivas e absolutas, e desejos mais loucos. 24 horas para cada vida paralela. Acho que podia ter mais uma pra dormir também, aí seriam duas vezes mais descanso por dia, já que serão mas vidas. E claro que essas vidas poderiam se cruzar em determinados momentos, como um sonho grandioso com a parte do trabalho, ou desejo louco com o amor, coisas assim. Seriam tão independentes quanto cada um de nós nos achamos independentes de nós mesmos.
Eu estava vendo meu flogão antigo outro dia, e parei numa foto que eu coloquei várias alternativas para a expressão do meu rosto na foto. Uma das alternativas era "estava espantado, pois tinha acabado de ver no dicionário a palavra morremorrer, e ficou pensando sobre quantas palavras estranhas existem". Entre outras alternativas totalmente imbecis e engraçadas. Foi um bom dia de pensamentos desconexos. Algumas vezes fico com receio de publicar qualquer coisa na Internet, ou até mesmo escrever no Word, pois tenho medo de que me roubem minhas ideias. Meu computador já tá tão bichado que nem sei como já não foi para o Paraíso dos computadores. Ah, acho que meu computador vai pro céu, ele é um lutador, sempre me ajudou, embora esteja cada vez mais lento, mas eu também ficarei lento quando estiver chegando ao fim de minha vida. Não o culpo. Espero que não me tratem da maneira que eu o trato, quando eu estiver velho como ele. Eu o desligo direto no botão do estabilizador, quase sempre, e também o encho de pancadas e tesouradas, na vã esperança de que ele funcione melhor por se sentir ameaçado.
Falando nisso, numa outra revista eu li que o hábito dos humanos de conversarem com objetos inanimados ou seres que não entendem nossa linguagem vem desde os tempos das cavernas, mas não me lembro por quê. Pelo menos, se é algo natural, ninguém pode se julgar louco por conversar com jabutis ou pedras ou cabos de panelas ou tapiocas. Eu mesmo converso direto com as moedas lá do caixa da banca onde tenho trabalhado esses dias. Elas sempre me ignoram. Até tento fazer umas brincadeiras legais pra ver se elas perdem a timidez, mas nunca nem mesmo um ruído consegui tirar delas. Não tem problema se elas não souberem falar minha linguagem, mas há gestos universais de alegria ou ódio. Dá pra reconhecer em qualquer coisa.
Ainda faltam uns 10.000 caracteres, e nem to com vontade de conferir o número exato. Também acho que não vou ter mais nada pra escrever logo mais, e não sei se vou conseguir gastar todas essas letrinhas que serão arquivadas no infinito espaço virtual. Li em outra revista que já existem unidades de medida virtual estupidamente abrangentes. Uma delas é o petabyte, e tinha lá na revista uns gráficos de quanto um petabyte equivale, mas eu me esqueci. Só sei que acima desse cara está o exabyte (na verdade, não sei se escrevi certo, nem se o petabyte é inferior ao exabyte ou vice-versa, mas sejam meus amigos) e, segundo um gráfico lá, que eu me lembro, pois fiquei abismado e me senti totalmente desprezado por ele, 20 exabytes seriam suficientes para arquivar todas as palavras que todos os humanos disseram, se forem transcritas, e escreveram em toda a sua história. Ou seja, desde o uga buga, passando pelos clássicos de Shakespeare, até isso que eu estou escrevendo agora, estaria disponível em um único megacomputador. É de acabar com qualquer sonho de grandeza literária.
O ser humano criou seu próprio Universo infinito. Se antes a gente já se sentia um lixo imaginando nosso tamanho diante do Universo real, o Universo virtual está cada vez mais ilimitado. Será que algum dia transporemos as barreiras do mundo físico? Quando o Universo real estiver acabando, daqui sabe-se lá quantos mil bilhões de anos, vai ser possível escapar para uma dimensão virtual e esperar que um novo Universo surja de um novo Big Bang, que tudo se estabilize para que possamos voltar ao mundo físico? E, pense: não vai chegar uma hora em que nada mais vai fazer sentido (se é que alguma coisa já faz)? Onde estamos é físico, virtual? Ou uma mescla dos dois? Será que já passamos por isso e esse é o 2º Universo que vivemos? Pode ser que a civilização humana do Universo anterior tenha ficado presa no Universo paralelo dela.
Por qual motivo o Uol Blog disponibiliza tantos caracteres? Já tô com a tendinite atacada aqui, de tanto escrever. Será que todos os blogs são assim? E se um cara que tem compulsão por gastar tudo que lhe é oferecido criar um blog aqui? Imagina só, o cara vê 19.500 caracteres disponíveis e vai se matar de escrever mil coisas. Aí ele acaba de postar e aparece de novo lá, 19.500 caracteres disponíveis pra uma nova postagem. Não é de deixar o cara maluco? Ele vai extrair tanta coisa dele mesmo que pode acabar se esquecendo de quem é. Coisa de louco. Isso pode dar em processo. E só de pensar que tudo isso cabe lá nos 20 exabytes, então? Frustrante. Muitas pessoas vão pensar em suicídio quando essa notícia chegar a todas as pessoas do mundo.
Estive lendo, também, sobre como um livro é analisado para que seja declarado um clássico. Pelos livros que disseram lá, e que eu tenha lido, o cara tem que criar tantas entrelinhas quanto linhas na história. É pura insanidade. Não que cada palavra que escrevemos não esteja repleta de significados diferentes do comum, mas tinha uns lances mais complexos na matéria lá. Só não sei mais o que dizer sobre isso. De qualquer forma, grande porcaria, tudo vai pros 20 exabytes. Declarações de guerra e amor, frases impecáveis e rabiscos semianalfabetos, até mesmo todas as palavras engraçadas do Volp 2009. Acho que serei um dos suicídas.
Acabei de falar pra um amigo meu sobre eu estar escrevendo todos os 19.500 caracteres que me deram aqui no blog. Amigão dos tempos de escola primária. Disse ele "quero só ver". E ele já está se retirando do MSN pra ir dormir. Passou–me um trailer de um filme pra eu ver. O cara é um cinéfilo feroz. Eu o desencorajei de ler esse monte de porcaria que estou escrevendo, mas é possível que em um mês ele consiga ler tudo, aos poucos, pacientemente. Falei pra ele que ia escrever sobre isso também, então ele sabe que é sobre ele a quem me refiro aqui. Um abraço, juventude. O filme é ambientado na Pérsia. Hoje eu li uma história da Turma da Mônica que se passa lá na Arábia. Estou pensando sobre como esse tipo de lugar tem ambientes perfeitos para as mais fantásticas histórias. Roupas impressionantes, palácios suntuosos, cultura interessantíssima. Um lugar bem melhor do que o Brasil ou os Estados Unidos, para se colocar personagens. A cultura ocidental é cheia de super-heróis estrelinhas e babacas, prefiro os mais estilosos do lado de lá. Corrijam-me se eu estiver errado, mas é que já foram muitos caracteres
Eu estou com um pouco de fome. Peguei um biscoito pra comer aqui, mas ele tá murcho. E nem tá vencido, essa porcaria. Mas não tô interessado em comer mais nada. Passo fome mesmo. Ah, e abandonei o "estilo" desde o 1º parágrafo. Não me venham com frescuras da Academia Brasileira de Letras se eu usei parênteses em um dos parágrafos e hífens em outro – como agora, e acho que pela primeira vez. Esta é uma produção totalmente despropositada, sem ligação com nada, nem consigo mesma.
Agora já são uns 3.500 caracteres. Marquei num papel a palavra "pessoas" pra me lembrar de que queria falar sobre elas. Mas não me lembro sobre o quê; vejam como este método é falho. De qualquer forma, posso falar sobre pessoas mesmo não sabendo sobre o que eu ia falar, em primeiro lugar. Posso dizer que as pessoas são estranhas. Estranhas, e legais, e sei lá, bonitas. Você pode descobrir que todas as pessoas são bonitas, é só estar com os olhos certos para cada uma. É, é o que eu acho. O mesmo pode-se dizer para a parte delas serem legais e estranhas. E todas são inteligentes, cada uma em sua especialização mais absurda ou ínfima, que seja. As pessoas deixam beijos, abraços, e adeuses, elas se importam umas com as outras, certamente. As pessoas são humanas, mas, como já teorizei, podem passar a ser caninas e felinas também. Não tem gente que fala que o cachorrinho é como um parente? Faz parte da família? E acho que pássaros também podem evoluir e se tornar tão inteligentes quanto os cachorros e gatos, no futuro, como os humanos. Talvez os peixes também. É esperar pra ver, não?
Eu me lembro da barra de rolagem diminuindo nos primeiros parágrafos, mas agora ela não diminui mais, aqui na caixa de texto. Estranho. Acho que o espaço ao redor dela que aumentou, mas não dá pra ver. É muito difícil de se pensar nisso. Ela começa com medida 20, suponha que seja este o número, a unidade, para facilitar. Sem espaço ao redor. Aí passa pra 19, com 1 espaço ao redor. No fim, ela chega a 1 tamanho, enquanto o espaço ao redor tem 19 tamanhos. Mas se eu precisar escrever mais, ela não vai pra 0,5 tamanho. Ela permanece com 1 tamanho, mas o espaço ao redor cresce pra 20 tamanhos, 21, 22, 23... Como pode uma coisa dessas? Existe alguma teoria, dentro dos 20 exabytes, que explique isso de forma simples e convincente?
Mas, certamente, ainda há espaço para a originalidade. Por vários motivos. O principal: Pode-se criar 20 exabytes de teorias sobre o exabyte, por diversas pessoas. Pode-se criar 20 exabytes sobre qualquer coisa, basta dar um tempo para se escrever sobre cada uma. Aí vão inventar um ultra-fodidus-megalomaniacus-estupidus-pterodonticus-byte, capaz de armazenar milhões de exabytes. Aí, sim, estaremos na roça.
Peguei o exabyte pra Cristo, pelo visto. Meus caracteres estão acabando, e antes eu achava que nunca ia conseguir usar tantos. Agora sinto falta de mais alguns milhares de caracteres, há tantas coisas que eu queria escrever. Acho que vou comprar trocentas caixas de caracteres pra usar à vontade, sem depender do Uol Blog. Bloguol. Uolog. Bluolg. Podiam inventar um nome mais legal pra isso. E podiam arrumar o contador de caracteres, que está totalmente insano. Não sabe se faltam 1000 ou 200 de limite.
E quem vai analisar todas estas minha palavras e procurar nas entrelinhas algo que torne este meu imenso devaneio um clássico literário?
Acabou, chega, beijos.
(publicado, originalmente, em flutuacao.zip.net, como outros vários textos daqui)
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